ARQUITECTURA

Um edifício, um modelo de gestão.
A estrutura horizontal das plantas do edifício segue a disposição histórica da fachada, comunicando-se estes espaços através dos grandes pátios junto à torre central e aos acessos verticais anexos à rua do Crucifixo. Um conjunto de escadas rolantes, instaladas em duplicado, cruza os pátios e os espaços adjacentes. Desta forma, asseguram-se percursos funcionais quer para o próprio Centro Comercial, quer para os utentes que circulam nesta área da cidade.

A torre é o espaço “livre” que, criando um hall, é o único distribuidor destes movimentos: as vistas do Chiado sobre a Baixa convertem-no num miradouro privilegiado.A base da torre, em frente à rua Garrett, mantém a mesma entrada cujas características plásticas haviam sido evidenciadas pelos antigos Armazéns do Chiado. Outras entradas secundárias e montras asseguram a permeabilidade comercial que a Lisboa Pombalina definiu em termos históricos.
 
Assim, o hotel, algumas lojas e o próprio Metro vão acompanhando o visitante que não utilizou a entrada principal. Seguindo esta disposição, os espaços comerciais foram distribuídos, localizando as lojas de maior dimensão nos extremos do edifício e as lojas de menor dimensão ladeando as zonas dos pátios e os passadiços deambulatórios. Nos pisos superiores, instalaram-se os restaurantes, cafetarias e o hotel, que domina a parte superior, beneficiando de um amplo terraço sobre a Baixa Lisboeta.

O terraço ajardinado separa o espaço público do bar e restaurante do hotel, dos varandins privativos de cada quarto. No corpo saliente da torre, localiza-se a área de restaurante, num espaço que se abre segundo a perspectiva do Castelo de S. Jorge. A torre e o resto do edifício comunicam a percepção sequencial dos espaços. As fachadas interiores das lojas e outros serviços de apoio encontram-se resolvidos com grande simplicidade, integrando a iluminação e a sinalética, sobressaindo as formas maciças do edifício.

Todo o Centro privilegia de duas enormes clarabóias, cuja claridade desenvolve como atracção visual o jogo luminoso das esculturas de José Guimarães.Por fim, destaca-se a necessidade de manter a gestão conjunta dos novos Armazéns do Chiado, para assegurar a sua coerência de funcionamento e manter o equilíbrio entre as actividades que definem o perfil e as características de atracção do centro.

Neste sentido, a tradição “literária” do Chiado é garantida em algumas dependências, com destaque para a exposição e venda de material cultural cuja especificidade diferencia este lugar de outros Centros Comerciais “tout-court”. De igual modo, todo o edifício primazia da presença do hotel e do valor residencial do mesmo, sendo privilegiado pela sua localização central e impacte dos seus terraços. Estas são questões que apontam para a necessidade de manter o equilíbrio entre a história e a reconstrução, entre a arquitectura e o uso urbano da mesma, sendo todo o projecto Armazéns do Chiado capaz gerar riqueza e criar novas sinergias no Chiado e na magnífica Baixa Lisboeta.Armazéns do Chiado. Sempre